terça-feira, 8 de novembro de 2022

Conversa com Drummond

 


Bem que você disse, poeta:
Apesar dos dias cinzentos, 
Do tédio nas cidades,
Da melancolia,
Das coisas tristes,
Uma flor nasceu.
Deve ser verde, não sei
Ou pode ser de plástico -
Dizem que dura mais.
Não importa!
Uma flor nasceu.
Rompeu asfalto,
Invadiu pedregulho.
Nasceu. 
E há de crescer até em solo árido
E terra cansada.






terça-feira, 21 de junho de 2022

E você? Ainda acredita no Amor?

 


Quantos de nós habitam em nós mesmos?

Quantas versões de amantes, amigos, desconhecidos conversam e desconversam entre si?

De multiversos a mapas astrais, tudo corre pra um só Rio.

Ainda assim, há medo do não-dito e da palavra que corta;

O silêncio é abrigo e estranhamento.

Se antes, a urgência da véspera inquietava,

Os dias, agora, voam para longe.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Meu crepúsculo


É no por-do-sol onde eu estreio no mundo.
Às 17h15min.
Dia 15.
Dezembro.
Fim de Primavera.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Pas de deux pelo universo



O meu hoje é teu ontem
O teu hoje é meu amanhã.

Tempo e espaço desconexos.

Uma rede.
Lençois.
E não te perco de vista.

Daqui posso sentir a altura do teu abraço.
E vejo um barco vindo em minha direção.

domingo, 23 de outubro de 2016

Maré cheia


Sou um oceano transbordando 
Uma inundação de sentimentos 
Sem contenção 
Sem barreiras 
Invadindo todo o meu ser 
Sangrando pelos poros.

Nada me estanca.
O amor mina em mim.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quem me leva os meus fantasmas?


“De que serve ter o mapa se o fim está traçado? De que serve a terra à vista se o barco está parado? De que serve ter a chave se a porta está aberta? De que servem as palavras se a casa está deserta?”
(Pedro Abrunhosa)



Carpe Diem

Tempo. 

Tempo pros pequenos prazeres da vida:
  >> Dormir tarde e não ter hora pra acordar.
>> Ouvir sua banda preferida e cantar junto (no volume máximo).
>> Passar o dia todo vendo desenho animado.
>> Ler um livro desobrigadamente.
>> Andar pelas ruas da cidade só pelo prazer de andar.
  >> Ver as fotos antigas e rir de si mesma (e das amigas).
>> Comer um bridadeiro de panela num dia de domingo oco.
>> Num dia frio de agosto... não sair de casa, nem da cama.

Mas, cadê?

Obrigações, prazos, responsabilidades...

Bem-vinda à realidade, Alice!

sábado, 18 de outubro de 2014

O inferno são os outros mesmo

Normalmente, nas minhas abordagens de campanha, sempre encontro a maioria absoluta das pessoas bem receptiva e certas ou propensas a votar em Dilma.

Hoje, voltando pra casa, num ligeirinho, puxei assunto com o motorista. Ele desconversou, mas disse que é 'contra tudo que aí está'. Eu já nem quis alongar mais papo.

E eis que uma senhora desperta pra conversa no banco de trás e eu, inocentemente, imagino que ela irá dizer "É claro que temos que votar em Dilma, ela fez tanto por esse bairro, veja quantas unidades do Minha Casa, Minha Vida..."

Mas, nãaaaaaao... O que ouvi foi algo do mais alto grau de coxinhagem, de pensamento conservador e reacionário.

"Você acha certo homem dormir com homem e mulher com mulher?"
Eu: "Hã?"
"É isso mesmo. Ela é a favor disso."

Eu de novo não quis entrar no embate, gastar minha rica energia vital com coisas insolúveis em um tempo tão reduzido. Mas, ainda tive que ouvir:
"Ela vai é pro inferno. E todo mundo que vota nela também."

Limitei-me a dizer: "Não tem importância. Eu não acredito no inferno."
E desci.

Assim, se tiver inferno... espero que pelo menos tenha muuuuuuuuuuuuuuuito rock n'roll.


sábado, 24 de novembro de 2012

"Terra é sempre terra"



Os pequenos municípios do interior do Nordeste ainda vivem sob o signo do coronelismo. A conservação da miséria e a escancarada concentração fundiária ainda subsistem mesmo com as inúmeras forças de contestação dessa ordem estabelecida, surgidas nos movimentos sociais de base, igrejas, sindicatos e imprensa livre. 

Em municípios predominante rurais, elementos urbanos aparecem para incrementar a rede de trocas entre o poder privado decadente e o poder público fortalecido.  Os governadores já não dominam como no passado, os recursos, agora federalizados, são repassados diretamente aos municípios. Os prefeitos são coroneis deles mesmos. São os novos donatários do Brasil. Acumulam bens. Compram fazendas. “Terra é sempre terra”.

A relação de compromisso entre poderes público e privado é latente. O poder privado interfere sobremaneira na condução das campanhas eleitorais, financiando-as, para garantir os benefícios posteriores. Retroalimentam-se. Amigos, compadres e afins são beneficiados, seja ocupando cargos públicos, seja prestando serviço à prefeitura.

Essa herança do sistema colonial de grande exploração agrícola, de trabalho servil, coloca o eleitorado numa situação de dependência direta. Utiliza-se do dinheiro, dos serviços e dos cargos públicos para ações marcadamente partidárias.
“Este procedimento de utilização direta ou indireta dos recursos públicos mantém, alimenta e conserva a “relação de reciprocidade” e acaba por atender mais à sustentação das lideranças dos “coronéis modernos” em detrimento da implantação, organização e democratização de políticas públicas voltadas para o cidadão e para a sociedade.”   [Celina Vargas do Amaral Peixoto]
Os serviços públicos são personificados. Os papeis dos agentes públicos são deturpados.

Vereador-ambulância é uma denominação auto-definível daqueles pretensos legisladores que fatiam o serviço de saúde, transportando pacientes para outras cidades ou intermediando as marcações de consultas no posto médico. 

Daí, surge o voto por dominação, por gratidão ou por reciprocidade. O voto de cabresto. 

As figuras de prefeitos e vereadores, que se travestem de pessoas do povo, com linguajar e atitudes próximas das camadas mais populares, são elementos de conservação da dominação carismática. "Voto em Fulano, porque ele toma pinga com a gente!". Confunde-se o público com o privado. A Prefeitura é a extensão da casa. Então, atender no órgão público ou na fazenda não faz muita diferença. 

Para Victor Nunes Leal, autor de “Coronelismo, Enxada e Voto” (1948), o coronelismo só terá fim com uma alteração profunda da nossa estrutura agrária excludente.

A melhoria dos serviços públicos, a fiscalização, a formação para a participação são urgentes. Só haverá fortalecimento da democracia, quando os espaços da barganha política, dos apadrinhamentos forem diminuindo, quando houver uma gestão pública que atenda os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 

Viva o Artigo 37! 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Dos sorrisos e das obrigações de ser feliz


"Não. Hoje eu não preciso rir.
Hoje eu não quero saber de ser feliz.
Me deixa aproveitar minha tristeza.
Me deixa contemplar minha dor."



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Meninas boas vão para o céu... Meninas más vão pra onde quiserem...

Desde que terminei o curso de Letras há alguns anos (mentira! muitos anos! 11 pra ser mais precisa), tenho tentado me manter fiel à leitura e isso não é tarefa fácil. Mulheres modernas têm que fazer malabarismos para serem modernas. Mesmo as que não têm filhos (como eu!), acabam tendo triplas jornadas, especialmente se forem professoras (como eu também!). E por serem professoras, nesse caso, deveriam ler o tempo todo, mas nem sempre têm tempo! Santa contradição!

Então, a fila do banco, a viagem pro trabalho, a espera no dentista, todas essas migalhas de tempo fracionado, dependem de um esforço, de uma disciplina quase jesuítica pra não serem desperdiçadas.

Nesse caso, eu me contento com migalhas. E devoro com fome de tudo.

É o que Mario Vargas Llosa está me ensinando com o seu "Travessuras da Menina Má". É um romance delicioso, de narrativa concisa e cheio de tudo o que mais gosto numa boa história: amor sem pieguices, mas com emoção; pano de fundo histórico; detalhes na medida certa, capazes de nos fazer estar no lugar descrito: Peru, Paris, Londres, Tóquio... e o que mais houver nessa incansável busca pela felicidade, ou pela sobrevivência útil, de Ricardito e sua chilenita. Ela vai pra onde quiser...

E eu, vou até onde Llosa me levar...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Das Cinzas

O mundo só não é cor-de-rosa, como dá indícios de estar de pernas pro ar... E eu nem estou falando dos acontecimentos naturais, que como o próprio nome diz, são naturais... O buraco não é em cima, como o do vulcão da Islândia, é bem mais embaixo e tão devastador quanto...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Menina da Lua


Leve na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Pra ti, ó bem amada
Princesa, olhos d'água
Menina da lua

Quero te ver clara
Clareando a noite intensa deste amor
O céu é teu sorriso
No branco do teu rosto
A irradiar ternura

Quero que desprendas
De qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo
O teu tear
Tens na mão, querida
A semente
De uma flor que inspira um beijo ardente
Um convite para amar

Leve na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Pra ti, ó bem amada
Princesa, olhos d'água
Menina linda

[Maria Rita]

domingo, 1 de novembro de 2009

Evaporar


Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar

Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar

O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar foi o que ganhei
E ando ainda atrás desse tempo ter
Pude não correr pra ele me encontrar
Não se mexer
Beija-flor no ar

O rio fica lá, a água é que correu
Chega na maré, ele vira mar
Como se morrer fosse desaguar
Derramar no céu, seu purificar
Deixar pra trás sais e minerais
Evaporar

[Rodrigo Amarante]

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"...inconstante e borboleta".

Sabe uma coisa que eu detesto? Rótulos. Convenções. Regras fixas. Modelos prontos. Isso não é uma só coisa, eu sei, mas são farinha do mesmo saco. Nada mais insuportável do que ter que agradar as expectativas alheias. Pra você ser feliz, bem aceita, normal, tem que seguir a cartilhinha hipócrita da maioria. E, na condição de mulher em sociedade tipicamente machista, isso ainda é mais forte. Mulheres não podem subverter a ordem estabelecida, mulheres tem que casar, ter filhos e serem boas mães. E se não forem mães, são tão más, quanto as que são mães ruins.

Dentro dos direitos humanos, não está lá a liberdade individual como algo inalienável?

Mulher é como lagarta, que passa por metamorfoses; sofre as variações de hormônios e humores, de vontades e necessidades. Hoje quero, amanhã não quero, depois de amanhã, quem sabe... Mas, para isso, as que fazem suas escolhas, que moldam seus caminhos à revelia do senso comum, pagam o preço, são alvo da incompreensão dos demais.

Por minha liberdade, eu pago o preço!

[Sobre o título: "E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta". , Clarice Lispector]


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Em boca fechada...


Hoje estava lendo um texto do Rubem Alves chamado "A arte de ouvir".
Muitas vezes o silêncio pode despertar muitos sonidos em nosso interior, ou desconsertar os que não suportam se ouvir.
Então, depois do dia que tive, decidi que amanhã vou ficar um pouco mais calada, mesmo que meu silêncio incomode os que estiverem ao meu redor.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Amado amante


Andando por entre as estantes de livros, inalando o cheiro novo da velha literatura, tive um pensamento revelador: preciso ler mais. Quantas daquelas histórias ainda não fazem parte de mim? Quantas daquelas poesias não me são conhecidas? Quantos daqueles momentos de inspiração não me foram mostrados?

Não ler é como perder o que nunca se teve, ter saudade do que ainda não se amou...

Um livro é um amante fiel e carinhoso, sempre pronto a nos encher a alma de palavras, sempre aberto, à espera da nossa companhia.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cor-de-rosa choque

Maitena - Mulheres Alteradas - In: Site da Gru
[As oito atividades típicas para quando baixar a depressão]

Sabe aquele dia em que você pensa em não ver ninguém, em não fazer nada, a não ser ficar embaixo da coberta, vendo Sessão da Tarde? Pois bem... É hoje!

Mas, é sempre possível dar a volta por cima pra vencer o baixo astral, a variação de humor, a TPM. Ouvir Los Hermanos e se enforcar num pé de coentro podem resolver.

Melhor não continuar, não tô pra papo com ninguém. Se campainha tocar, eu não abro a porta, se telefone tocar, eu digo que não estou. Sem comentário, tá? Não vou responder a ninguém.

domingo, 20 de setembro de 2009

Mulheres, ao poder!

Às vezes penso que esse espaço para minhas elocubrações acabará se transformando num blog de pílulas, sabe? Uma frasezinha qualquer sobre um assunto e só! Sem mais rodeios, sem meias-palavras. Seco. Direto. Objetivo. Não sei... Acabo sendo suscinta ao extremo. É meu lado azul, masculino, que fala nessas horas... Não sei mesmo enfeitar, colocar florezinhas, apesar de gostar bastante das violetas.

Mas... queria mesmo falar de que, então?
Do poder das mulheres e das mulheres no poder.

São coisas bem distintas... Todas as mulheres têm o poder de conseguir aquilo que querem, utilizando de toda a sua astúcia e perspicácia, mas nem todas elas chegam ao poder, aos lugares de comando.

Quando se fala de mulheres ocupando espaços, remete-se a "cotas" que precisam ser garantidas, especialmente no campo político, o que nem sempre é cumprido à risca, mais por falta de candidatas aos cargos do que pelo interesse de se seguir a lei. Ainda há uma certa ojeriza das mulheres pela política, como há em grau semelhante ojeriza da maioria das mulheres em eleger outras para cargos públicos.

Eu diria que essa atitude poderia ser perfeitamente chamada de "machismo". Mulheres machistas não é uma raridade na sociedade brasileira. Mães criam filhos para o mundo e filhas para o casamento. Esposas aceitam ser traídas pelos maridos... Enfim, há uma infinidade de exemplos como esses. Mulheres não votam em mulheres. Mulheres formadas numa sociedade que prega a força masculina como mantenedora e provedora do sustento da Nação, não subvertem, não acreditam nas outras mulheres porque não acreditam em si, no poder que têm.

Mulheres brasileiras, uni-vos! Ocupai os espaços de empoderamento! Ocupai todos os espaços! Porque, queridas, se não fizermos isso, eles o farão!


Para ir além: www.mulheresnopoder.com.br

O Leblon não é aqui [1]

Não sei o que a maioria acha, talvez goste muito das histórias da "vida real" que Manoel Carlos conta em suas obras das 21h, mas eu sinto uma inverossimilhança tamanha, que beira à patetice. Sem precisar apontar os atores de segunda que aparecem e desaparecem como astros incandescentes no espaço sideral, há uma coisa que me chama muito a atenção: a linguagem.

É fato que "Maneco" valoriza a língua portuguesa, afinal é ela seu instrumento primeiro de trabalho; só que língua escrita e língua falada tem especificidades próprias. Há que se adequar o código a cada situação comunicativa. A sensação que dá é que os atores estão lendo aquelas cenas, tranferindo ipsis litteris cada palavra para a fala. Então, fica algo tão fora de contexto, tão mecânico e sem emoção, que melhor seria ver uma novelinha mexicana mamão-com-açúcar.

Ainda têm os pobres e malfeitores que fazem parte da trama... Mas isso é papo pra outro post. Agora me deu fastio.