domingo, 20 de setembro de 2009

O Leblon não é aqui [1]

Não sei o que a maioria acha, talvez goste muito das histórias da "vida real" que Manoel Carlos conta em suas obras das 21h, mas eu sinto uma inverossimilhança tamanha, que beira à patetice. Sem precisar apontar os atores de segunda que aparecem e desaparecem como astros incandescentes no espaço sideral, há uma coisa que me chama muito a atenção: a linguagem.

É fato que "Maneco" valoriza a língua portuguesa, afinal é ela seu instrumento primeiro de trabalho; só que língua escrita e língua falada tem especificidades próprias. Há que se adequar o código a cada situação comunicativa. A sensação que dá é que os atores estão lendo aquelas cenas, tranferindo ipsis litteris cada palavra para a fala. Então, fica algo tão fora de contexto, tão mecânico e sem emoção, que melhor seria ver uma novelinha mexicana mamão-com-açúcar.

Ainda têm os pobres e malfeitores que fazem parte da trama... Mas isso é papo pra outro post. Agora me deu fastio.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Orgulho de ser baiana???

Olha só! A gente aqui até tá acostumado a ouvir certas músicas, certas letras e a ver certas coreografias... Mas, quando isso passa em rede nacional, dá vontade de ir pra Lua na próxima expedição da NASA.

Durante semanas, o vídeo do "Todo Enfiado" foi papo comum em ônibus, bares, escolas, ruas, lojas, babas, shoppings, amigas ao telefone, amigas no msn, comunidades do orkut, posts do twitter, programas de rádio e programas de tv de gosto duvidoso... Argumentos pró-pseudo-professora, argumentos contra-pseudo-professora, pseudo-professora demitida, pseudo-professora defendida, pseudo-professora acusada. Verdade é que a pseudo-professora ficou famosa, começou a dançar na tal banda que toca a tal música e tá dando risinhos de iena frente a toda essa situação. Mas, eu não consigo esboçar nem um risinho, mesmo um de vergonha, daqueles que se dá às escondidas, por puro pudor ou timidez.

Toda essa patuscada, como diria aquele ex-presidente de caráter duvidoso, me fez lembrar um livro de Eduardo Galeano "De pernas por ar - a escola do mundo ao avesso", não pelo conteúdo que aborda magnificamente questões salutares para entendermos as relações de poder que permeiam a sociedade, mas pelo título simplesmente... Pernas, escola, mundo, pro ar, pelo avesso, valores invertidos, massificação de 'cultura' inútil. Socorro!

P.S.1: Aqui me eximirei de postar o link do vídeo, por ser demais "trash".

"Vão passando!
Entrem na escola do mundo ao avesso!
Que se alce a lanterna mágica!
Imagem e som! A ilusão da vida!
[...]
O mundo perdido num jogo de dados!
Não confundir com grosseiras imitações!
Deus bendiga quem vir!
Deus perdoe quem não!
Pessoas sensíveis e menores, abster-se".
[Baseado nos pregões da lanterna mágica, do séc. XVIII]

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Bá, carneiro, ovelha!

Sempre fui uma mulher da luta! Levantei bandeira, fiz greve, protestei... Mas não admito que lutas infundadas se transformem em levantes dos desvalidos, dos sempre humilhados, das vítimas do sistema.
O discurso pronto de que professor é um pobre coitado, que vive sofrendo as mais atrozes agruras da vida não é de todo verdadeiro. Não ter o reconhecimento profissional devido, não ter um ambiente de trabalho adequado, não ter a remuneração que almeja não é exclusividade dessa categoria, da qual, óbvio, eu faço parte. Trabalho é trabalho em qualquer parte do mundo. O uso dessa caricatura cai muito bem, quando se quer ter algum benefício, algum privilégio numa disputa de interesses.
Hoje, acordei com os ecos da tal “paralisação contra a enturmação”. Vejamos, o que é enturmação? Segundo a Secretaria da Educação, é o “agrupamento de turmas com poucos alunos em uma mesma escola, sem prejuízo do ano letivo nem do projeto pedagógico”. E onde está o problema nisso? Como reivindicar o bom uso do dinheiro público, mantendo salas com menos de 10 alunos funcionando, em nome de uma programação de carga horária? Professores não são lotados em escolas, mas na Secretaria de Educação, e podem perfeitamente ser movimentados entre as unidades que compõem a rede. O que não é admissível é que o Estado continue onerando a folha de pagamento com contratação de professores substitutos, quando haveria possibilidade de se fazer remanejamentos de efetivos.
Então, hoje todo mundo parou. Mas nem todo mundo sabia porque estava parando. Salário. Aposentadoria. Condições de Trabalho. Tudo isso. Ou nada disso. “Se a ‘central’ diz que é parar, a gente para”. E assim, vão caminhando como ovelhas teleguiadas por cães ou porcos-pastores, esses bem entendidos do que querem.
Só eu acordei com esses ecos, porque boa parte dos colegas só conseguia pensar no silêncio desses dois dias, em casa, paralisados.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sobre palavras e cores

Não sou necessariamente sinestésica, mas acho que as cores dizem muito sobre muita coisa. Não só acho, como o senso comum consensua a relação entre cores e coisas, sentimentos, variações de humor. Mas, contraditoriamente, não há consenso quanto aos símbolos que cada cor representa.

Mas, o LILÁS deve ser explicado.
Nem rosa, nem azul. Nem feminino, nem masculino. Lilás. A cor da mistura, do equilíbrio, do meio do caminho.

É nisso que eu vou ficar, no meio caminho entre qualquer coisa que me mova, me motive, me interesse, me agrade, me desagrade, me provoque, me instigue, me desperte, me entedie, me irrite... No meio do caminho, tomando posição.

Porque, gente, apesar das cores, nem tudo são flores, eu já sou uma balzaquiana e não aceito não me manifestar. Nem que seja pra dizer que hoje eu acordei sem vontade pra nada. Ou com muita vontade de mudar o mundo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sinto que sou meio árvore.
Apesar de livre por dentro,
Preciso de um chão pra me fincar!
Agora eu entendo Gonçalves Dias!
Vivo a cruz dos expatriados.
Onde for, sinto a ausência
Do chão,
Do céu,
Dos iguais.
Essa é minha verdadeira essência:
A saudade incomensurável
Até mim mesma.

domingo, 19 de abril de 2009

Confabulações sobre a solidão

Em última instância, somos rigorosamente sós. Nascemos para a solidão. Lutamos por individualiade, tratamento personalizado... Não há por que nos esquivarmos dela. Mas, é bem doloroso quando se chega a um momento na vida onde essas verdades são mostradas.

A vida inteira eu disse milhares de "adeuses". Adeus amigo! Adeus amiga! Adeus cidade! Adeus família! E o tempo todo chegando mais gente e lugares para se despedir de mim...

Sim, estou só! Mas, a solidão me faz companhia!