Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar
Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar
O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar foi o que ganhei
E ando ainda atrás desse tempo ter
Pude não correr pra ele me encontrar
Não se mexer
Beija-flor no ar
O rio fica lá, a água é que correu
Chega na maré, ele vira mar
Como se morrer fosse desaguar
Derramar no céu, seu purificar
Deixar pra trás sais e minerais
Evaporar
[Rodrigo Amarante]
domingo, 1 de novembro de 2009
Evaporar
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
"...inconstante e borboleta".
Sabe uma coisa que eu detesto? Rótulos. Convenções. Regras fixas. Modelos prontos. Isso não é uma só coisa, eu sei, mas são farinha do mesmo saco. Nada mais insuportável do que ter que agradar as expectativas alheias. Pra você ser feliz, bem aceita, normal, tem que seguir a cartilhinha hipócrita da maioria. E, na condição de mulher em sociedade tipicamente machista, isso ainda é mais forte. Mulheres não podem subverter a ordem estabelecida, mulheres tem que casar, ter filhos e serem boas mães. E se não forem mães, são tão más, quanto as que são mães ruins.
Dentro dos direitos humanos, não está lá a liberdade individual como algo inalienável?
Mulher é como lagarta, que passa por metamorfoses; sofre as variações de hormônios e humores, de vontades e necessidades. Hoje quero, amanhã não quero, depois de amanhã, quem sabe... Mas, para isso, as que fazem suas escolhas, que moldam seus caminhos à revelia do senso comum, pagam o preço, são alvo da incompreensão dos demais.
Por minha liberdade, eu pago o preço!
[Sobre o título: "E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta". , Clarice Lispector]
Dentro dos direitos humanos, não está lá a liberdade individual como algo inalienável?
Mulher é como lagarta, que passa por metamorfoses; sofre as variações de hormônios e humores, de vontades e necessidades. Hoje quero, amanhã não quero, depois de amanhã, quem sabe... Mas, para isso, as que fazem suas escolhas, que moldam seus caminhos à revelia do senso comum, pagam o preço, são alvo da incompreensão dos demais.
Por minha liberdade, eu pago o preço!
[Sobre o título: "E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta". , Clarice Lispector]
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Em boca fechada...

Hoje estava lendo um texto do Rubem Alves chamado "A arte de ouvir".
Muitas vezes o silêncio pode despertar muitos sonidos em nosso interior, ou desconsertar os que não suportam se ouvir.
Então, depois do dia que tive, decidi que amanhã vou ficar um pouco mais calada, mesmo que meu silêncio incomode os que estiverem ao meu redor.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Amado amante

Andando por entre as estantes de livros, inalando o cheiro novo da velha literatura, tive um pensamento revelador: preciso ler mais. Quantas daquelas histórias ainda não fazem parte de mim? Quantas daquelas poesias não me são conhecidas? Quantos daqueles momentos de inspiração não me foram mostrados?
Não ler é como perder o que nunca se teve, ter saudade do que ainda não se amou...
Um livro é um amante fiel e carinhoso, sempre pronto a nos encher a alma de palavras, sempre aberto, à espera da nossa companhia.
Não ler é como perder o que nunca se teve, ter saudade do que ainda não se amou...
Um livro é um amante fiel e carinhoso, sempre pronto a nos encher a alma de palavras, sempre aberto, à espera da nossa companhia.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Cor-de-rosa choque
[As oito atividades típicas para quando baixar a depressão]
Sabe aquele dia em que você pensa em não ver ninguém, em não fazer nada, a não ser ficar embaixo da coberta, vendo Sessão da Tarde? Pois bem... É hoje!
Mas, é sempre possível dar a volta por cima pra vencer o baixo astral, a variação de humor, a TPM. Ouvir Los Hermanos e se enforcar num pé de coentro podem resolver.
Melhor não continuar, não tô pra papo com ninguém. Se campainha tocar, eu não abro a porta, se telefone tocar, eu digo que não estou. Sem comentário, tá? Não vou responder a ninguém.
Mas, é sempre possível dar a volta por cima pra vencer o baixo astral, a variação de humor, a TPM. Ouvir Los Hermanos e se enforcar num pé de coentro podem resolver.
Melhor não continuar, não tô pra papo com ninguém. Se campainha tocar, eu não abro a porta, se telefone tocar, eu digo que não estou. Sem comentário, tá? Não vou responder a ninguém.
domingo, 20 de setembro de 2009
Mulheres, ao poder!
Às vezes penso que esse espaço para minhas elocubrações acabará se transformando num blog de pílulas, sabe? Uma frasezinha qualquer sobre um assunto e só! Sem mais rodeios, sem meias-palavras. Seco. Direto. Objetivo. Não sei... Acabo sendo suscinta ao extremo. É meu lado azul, masculino, que fala nessas horas... Não sei mesmo enfeitar, colocar florezinhas, apesar de gostar bastante das violetas.
Mas... queria mesmo falar de que, então?
Do poder das mulheres e das mulheres no poder.
São coisas bem distintas... Todas as mulheres têm o poder de conseguir aquilo que querem, utilizando de toda a sua astúcia e perspicácia, mas nem todas elas chegam ao poder, aos lugares de comando.
Quando se fala de mulheres ocupando espaços, remete-se a "cotas" que precisam ser garantidas, especialmente no campo político, o que nem sempre é cumprido à risca, mais por falta de candidatas aos cargos do que pelo interesse de se seguir a lei. Ainda há uma certa ojeriza das mulheres pela política, como há em grau semelhante ojeriza da maioria das mulheres em eleger outras para cargos públicos.
Eu diria que essa atitude poderia ser perfeitamente chamada de "machismo". Mulheres machistas não é uma raridade na sociedade brasileira. Mães criam filhos para o mundo e filhas para o casamento. Esposas aceitam ser traídas pelos maridos... Enfim, há uma infinidade de exemplos como esses. Mulheres não votam em mulheres. Mulheres formadas numa sociedade que prega a força masculina como mantenedora e provedora do sustento da Nação, não subvertem, não acreditam nas outras mulheres porque não acreditam em si, no poder que têm.
Mulheres brasileiras, uni-vos! Ocupai os espaços de empoderamento! Ocupai todos os espaços! Porque, queridas, se não fizermos isso, eles o farão!
Para ir além: www.mulheresnopoder.com.br
Quando se fala de mulheres ocupando espaços, remete-se a "cotas" que precisam ser garantidas, especialmente no campo político, o que nem sempre é cumprido à risca, mais por falta de candidatas aos cargos do que pelo interesse de se seguir a lei. Ainda há uma certa ojeriza das mulheres pela política, como há em grau semelhante ojeriza da maioria das mulheres em eleger outras para cargos públicos.
Eu diria que essa atitude poderia ser perfeitamente chamada de "machismo". Mulheres machistas não é uma raridade na sociedade brasileira. Mães criam filhos para o mundo e filhas para o casamento. Esposas aceitam ser traídas pelos maridos... Enfim, há uma infinidade de exemplos como esses. Mulheres não votam em mulheres. Mulheres formadas numa sociedade que prega a força masculina como mantenedora e provedora do sustento da Nação, não subvertem, não acreditam nas outras mulheres porque não acreditam em si, no poder que têm.
Mulheres brasileiras, uni-vos! Ocupai os espaços de empoderamento! Ocupai todos os espaços! Porque, queridas, se não fizermos isso, eles o farão!
Para ir além: www.mulheresnopoder.com.br
O Leblon não é aqui [1]
Não sei o que a maioria acha, talvez goste muito das histórias da "vida real" que Manoel Carlos conta em suas obras das 21h, mas eu sinto uma inverossimilhança tamanha, que beira à patetice. Sem precisar apontar os atores de segunda que aparecem e desaparecem como astros incandescentes no espaço sideral, há uma coisa que me chama muito a atenção: a linguagem.
É fato que "Maneco" valoriza a língua portuguesa, afinal é ela seu instrumento primeiro de trabalho; só que língua escrita e língua falada tem especificidades próprias. Há que se adequar o código a cada situação comunicativa. A sensação que dá é que os atores estão lendo aquelas cenas, tranferindo ipsis litteris cada palavra para a fala. Então, fica algo tão fora de contexto, tão mecânico e sem emoção, que melhor seria ver uma novelinha mexicana mamão-com-açúcar.
Ainda têm os pobres e malfeitores que fazem parte da trama... Mas isso é papo pra outro post. Agora me deu fastio.
É fato que "Maneco" valoriza a língua portuguesa, afinal é ela seu instrumento primeiro de trabalho; só que língua escrita e língua falada tem especificidades próprias. Há que se adequar o código a cada situação comunicativa. A sensação que dá é que os atores estão lendo aquelas cenas, tranferindo ipsis litteris cada palavra para a fala. Então, fica algo tão fora de contexto, tão mecânico e sem emoção, que melhor seria ver uma novelinha mexicana mamão-com-açúcar.
Ainda têm os pobres e malfeitores que fazem parte da trama... Mas isso é papo pra outro post. Agora me deu fastio.
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