quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Meninas boas vão para o céu... Meninas más vão pra onde quiserem...

Desde que terminei o curso de Letras há alguns anos (mentira! muitos anos! 11 pra ser mais precisa), tenho tentado me manter fiel à leitura e isso não é tarefa fácil. Mulheres modernas têm que fazer malabarismos para serem modernas. Mesmo as que não têm filhos (como eu!), acabam tendo triplas jornadas, especialmente se forem professoras (como eu também!). E por serem professoras, nesse caso, deveriam ler o tempo todo, mas nem sempre têm tempo! Santa contradição!

Então, a fila do banco, a viagem pro trabalho, a espera no dentista, todas essas migalhas de tempo fracionado, dependem de um esforço, de uma disciplina quase jesuítica pra não serem desperdiçadas.

Nesse caso, eu me contento com migalhas. E devoro com fome de tudo.

É o que Mario Vargas Llosa está me ensinando com o seu "Travessuras da Menina Má". É um romance delicioso, de narrativa concisa e cheio de tudo o que mais gosto numa boa história: amor sem pieguices, mas com emoção; pano de fundo histórico; detalhes na medida certa, capazes de nos fazer estar no lugar descrito: Peru, Paris, Londres, Tóquio... e o que mais houver nessa incansável busca pela felicidade, ou pela sobrevivência útil, de Ricardito e sua chilenita. Ela vai pra onde quiser...

E eu, vou até onde Llosa me levar...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Das Cinzas

O mundo só não é cor-de-rosa, como dá indícios de estar de pernas pro ar... E eu nem estou falando dos acontecimentos naturais, que como o próprio nome diz, são naturais... O buraco não é em cima, como o do vulcão da Islândia, é bem mais embaixo e tão devastador quanto...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Menina da Lua


Leve na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Pra ti, ó bem amada
Princesa, olhos d'água
Menina da lua

Quero te ver clara
Clareando a noite intensa deste amor
O céu é teu sorriso
No branco do teu rosto
A irradiar ternura

Quero que desprendas
De qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo
O teu tear
Tens na mão, querida
A semente
De uma flor que inspira um beijo ardente
Um convite para amar

Leve na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Pra ti, ó bem amada
Princesa, olhos d'água
Menina linda

[Maria Rita]

domingo, 1 de novembro de 2009

Evaporar


Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar

Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar

O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar foi o que ganhei
E ando ainda atrás desse tempo ter
Pude não correr pra ele me encontrar
Não se mexer
Beija-flor no ar

O rio fica lá, a água é que correu
Chega na maré, ele vira mar
Como se morrer fosse desaguar
Derramar no céu, seu purificar
Deixar pra trás sais e minerais
Evaporar

[Rodrigo Amarante]

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"...inconstante e borboleta".

Sabe uma coisa que eu detesto? Rótulos. Convenções. Regras fixas. Modelos prontos. Isso não é uma só coisa, eu sei, mas são farinha do mesmo saco. Nada mais insuportável do que ter que agradar as expectativas alheias. Pra você ser feliz, bem aceita, normal, tem que seguir a cartilhinha hipócrita da maioria. E, na condição de mulher em sociedade tipicamente machista, isso ainda é mais forte. Mulheres não podem subverter a ordem estabelecida, mulheres tem que casar, ter filhos e serem boas mães. E se não forem mães, são tão más, quanto as que são mães ruins.

Dentro dos direitos humanos, não está lá a liberdade individual como algo inalienável?

Mulher é como lagarta, que passa por metamorfoses; sofre as variações de hormônios e humores, de vontades e necessidades. Hoje quero, amanhã não quero, depois de amanhã, quem sabe... Mas, para isso, as que fazem suas escolhas, que moldam seus caminhos à revelia do senso comum, pagam o preço, são alvo da incompreensão dos demais.

Por minha liberdade, eu pago o preço!

[Sobre o título: "E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta". , Clarice Lispector]


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Em boca fechada...


Hoje estava lendo um texto do Rubem Alves chamado "A arte de ouvir".
Muitas vezes o silêncio pode despertar muitos sonidos em nosso interior, ou desconsertar os que não suportam se ouvir.
Então, depois do dia que tive, decidi que amanhã vou ficar um pouco mais calada, mesmo que meu silêncio incomode os que estiverem ao meu redor.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Amado amante


Andando por entre as estantes de livros, inalando o cheiro novo da velha literatura, tive um pensamento revelador: preciso ler mais. Quantas daquelas histórias ainda não fazem parte de mim? Quantas daquelas poesias não me são conhecidas? Quantos daqueles momentos de inspiração não me foram mostrados?

Não ler é como perder o que nunca se teve, ter saudade do que ainda não se amou...

Um livro é um amante fiel e carinhoso, sempre pronto a nos encher a alma de palavras, sempre aberto, à espera da nossa companhia.