quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Meu crepúsculo


É no por-do-sol onde eu estreio no mundo.
Às 17h15min.
Dia 15.
Dezembro.
Fim de Primavera.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Pas de deux pelo universo



O meu hoje é teu ontem
O teu hoje é meu amanhã.

Tempo e espaço desconexos.

Uma rede.
Lençois.
E não te perco de vista.

Daqui posso sentir a altura do teu abraço.
E vejo um barco vindo em minha direção.

domingo, 23 de outubro de 2016

Maré cheia


Sou um oceano transbordando 
Uma inundação de sentimentos 
Sem contenção 
Sem barreiras 
Invadindo todo o meu ser 
Sangrando pelos poros.

Nada me estanca.
O amor mina em mim.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quem me leva os meus fantasmas?


“De que serve ter o mapa se o fim está traçado? De que serve a terra à vista se o barco está parado? De que serve ter a chave se a porta está aberta? De que servem as palavras se a casa está deserta?”
(Pedro Abrunhosa)



Carpe Diem

Tempo. 

Tempo pros pequenos prazeres da vida:
  >> Dormir tarde e não ter hora pra acordar.
>> Ouvir sua banda preferida e cantar junto (no volume máximo).
>> Passar o dia todo vendo desenho animado.
>> Ler um livro desobrigadamente.
>> Andar pelas ruas da cidade só pelo prazer de andar.
  >> Ver as fotos antigas e rir de si mesma (e das amigas).
>> Comer um bridadeiro de panela num dia de domingo oco.
>> Num dia frio de agosto... não sair de casa, nem da cama.

Mas, cadê?

Obrigações, prazos, responsabilidades...

Bem-vinda à realidade, Alice!

sábado, 18 de outubro de 2014

O inferno são os outros mesmo

Normalmente, nas minhas abordagens de campanha, sempre encontro a maioria absoluta das pessoas bem receptiva e certas ou propensas a votar em Dilma.

Hoje, voltando pra casa, num ligeirinho, puxei assunto com o motorista. Ele desconversou, mas disse que é 'contra tudo que aí está'. Eu já nem quis alongar mais papo.

E eis que uma senhora desperta pra conversa no banco de trás e eu, inocentemente, imagino que ela irá dizer "É claro que temos que votar em Dilma, ela fez tanto por esse bairro, veja quantas unidades do Minha Casa, Minha Vida..."

Mas, nãaaaaaao... O que ouvi foi algo do mais alto grau de coxinhagem, de pensamento conservador e reacionário.

"Você acha certo homem dormir com homem e mulher com mulher?"
Eu: "Hã?"
"É isso mesmo. Ela é a favor disso."

Eu de novo não quis entrar no embate, gastar minha rica energia vital com coisas insolúveis em um tempo tão reduzido. Mas, ainda tive que ouvir:
"Ela vai é pro inferno. E todo mundo que vota nela também."

Limitei-me a dizer: "Não tem importância. Eu não acredito no inferno."
E desci.

Assim, se tiver inferno... espero que pelo menos tenha muuuuuuuuuuuuuuuito rock n'roll.


sábado, 24 de novembro de 2012

"Terra é sempre terra"



Os pequenos municípios do interior do Nordeste ainda vivem sob o signo do coronelismo. A conservação da miséria e a escancarada concentração fundiária ainda subsistem mesmo com as inúmeras forças de contestação dessa ordem estabelecida, surgidas nos movimentos sociais de base, igrejas, sindicatos e imprensa livre. 

Em municípios predominante rurais, elementos urbanos aparecem para incrementar a rede de trocas entre o poder privado decadente e o poder público fortalecido.  Os governadores já não dominam como no passado, os recursos, agora federalizados, são repassados diretamente aos municípios. Os prefeitos são coroneis deles mesmos. São os novos donatários do Brasil. Acumulam bens. Compram fazendas. “Terra é sempre terra”.

A relação de compromisso entre poderes público e privado é latente. O poder privado interfere sobremaneira na condução das campanhas eleitorais, financiando-as, para garantir os benefícios posteriores. Retroalimentam-se. Amigos, compadres e afins são beneficiados, seja ocupando cargos públicos, seja prestando serviço à prefeitura.

Essa herança do sistema colonial de grande exploração agrícola, de trabalho servil, coloca o eleitorado numa situação de dependência direta. Utiliza-se do dinheiro, dos serviços e dos cargos públicos para ações marcadamente partidárias.
“Este procedimento de utilização direta ou indireta dos recursos públicos mantém, alimenta e conserva a “relação de reciprocidade” e acaba por atender mais à sustentação das lideranças dos “coronéis modernos” em detrimento da implantação, organização e democratização de políticas públicas voltadas para o cidadão e para a sociedade.”   [Celina Vargas do Amaral Peixoto]
Os serviços públicos são personificados. Os papeis dos agentes públicos são deturpados.

Vereador-ambulância é uma denominação auto-definível daqueles pretensos legisladores que fatiam o serviço de saúde, transportando pacientes para outras cidades ou intermediando as marcações de consultas no posto médico. 

Daí, surge o voto por dominação, por gratidão ou por reciprocidade. O voto de cabresto. 

As figuras de prefeitos e vereadores, que se travestem de pessoas do povo, com linguajar e atitudes próximas das camadas mais populares, são elementos de conservação da dominação carismática. "Voto em Fulano, porque ele toma pinga com a gente!". Confunde-se o público com o privado. A Prefeitura é a extensão da casa. Então, atender no órgão público ou na fazenda não faz muita diferença. 

Para Victor Nunes Leal, autor de “Coronelismo, Enxada e Voto” (1948), o coronelismo só terá fim com uma alteração profunda da nossa estrutura agrária excludente.

A melhoria dos serviços públicos, a fiscalização, a formação para a participação são urgentes. Só haverá fortalecimento da democracia, quando os espaços da barganha política, dos apadrinhamentos forem diminuindo, quando houver uma gestão pública que atenda os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 

Viva o Artigo 37!