segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Menina da Lua


Leve na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Pra ti, ó bem amada
Princesa, olhos d'água
Menina da lua

Quero te ver clara
Clareando a noite intensa deste amor
O céu é teu sorriso
No branco do teu rosto
A irradiar ternura

Quero que desprendas
De qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo
O teu tear
Tens na mão, querida
A semente
De uma flor que inspira um beijo ardente
Um convite para amar

Leve na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Pra ti, ó bem amada
Princesa, olhos d'água
Menina linda

[Maria Rita]

domingo, 1 de novembro de 2009

Evaporar


Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar

Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar

O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar foi o que ganhei
E ando ainda atrás desse tempo ter
Pude não correr pra ele me encontrar
Não se mexer
Beija-flor no ar

O rio fica lá, a água é que correu
Chega na maré, ele vira mar
Como se morrer fosse desaguar
Derramar no céu, seu purificar
Deixar pra trás sais e minerais
Evaporar

[Rodrigo Amarante]

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"...inconstante e borboleta".

Sabe uma coisa que eu detesto? Rótulos. Convenções. Regras fixas. Modelos prontos. Isso não é uma só coisa, eu sei, mas são farinha do mesmo saco. Nada mais insuportável do que ter que agradar as expectativas alheias. Pra você ser feliz, bem aceita, normal, tem que seguir a cartilhinha hipócrita da maioria. E, na condição de mulher em sociedade tipicamente machista, isso ainda é mais forte. Mulheres não podem subverter a ordem estabelecida, mulheres tem que casar, ter filhos e serem boas mães. E se não forem mães, são tão más, quanto as que são mães ruins.

Dentro dos direitos humanos, não está lá a liberdade individual como algo inalienável?

Mulher é como lagarta, que passa por metamorfoses; sofre as variações de hormônios e humores, de vontades e necessidades. Hoje quero, amanhã não quero, depois de amanhã, quem sabe... Mas, para isso, as que fazem suas escolhas, que moldam seus caminhos à revelia do senso comum, pagam o preço, são alvo da incompreensão dos demais.

Por minha liberdade, eu pago o preço!

[Sobre o título: "E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta". , Clarice Lispector]


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Em boca fechada...


Hoje estava lendo um texto do Rubem Alves chamado "A arte de ouvir".
Muitas vezes o silêncio pode despertar muitos sonidos em nosso interior, ou desconsertar os que não suportam se ouvir.
Então, depois do dia que tive, decidi que amanhã vou ficar um pouco mais calada, mesmo que meu silêncio incomode os que estiverem ao meu redor.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Amado amante


Andando por entre as estantes de livros, inalando o cheiro novo da velha literatura, tive um pensamento revelador: preciso ler mais. Quantas daquelas histórias ainda não fazem parte de mim? Quantas daquelas poesias não me são conhecidas? Quantos daqueles momentos de inspiração não me foram mostrados?

Não ler é como perder o que nunca se teve, ter saudade do que ainda não se amou...

Um livro é um amante fiel e carinhoso, sempre pronto a nos encher a alma de palavras, sempre aberto, à espera da nossa companhia.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cor-de-rosa choque

Maitena - Mulheres Alteradas - In: Site da Gru
[As oito atividades típicas para quando baixar a depressão]

Sabe aquele dia em que você pensa em não ver ninguém, em não fazer nada, a não ser ficar embaixo da coberta, vendo Sessão da Tarde? Pois bem... É hoje!

Mas, é sempre possível dar a volta por cima pra vencer o baixo astral, a variação de humor, a TPM. Ouvir Los Hermanos e se enforcar num pé de coentro podem resolver.

Melhor não continuar, não tô pra papo com ninguém. Se campainha tocar, eu não abro a porta, se telefone tocar, eu digo que não estou. Sem comentário, tá? Não vou responder a ninguém.

domingo, 20 de setembro de 2009

Mulheres, ao poder!

Às vezes penso que esse espaço para minhas elocubrações acabará se transformando num blog de pílulas, sabe? Uma frasezinha qualquer sobre um assunto e só! Sem mais rodeios, sem meias-palavras. Seco. Direto. Objetivo. Não sei... Acabo sendo suscinta ao extremo. É meu lado azul, masculino, que fala nessas horas... Não sei mesmo enfeitar, colocar florezinhas, apesar de gostar bastante das violetas.

Mas... queria mesmo falar de que, então?
Do poder das mulheres e das mulheres no poder.

São coisas bem distintas... Todas as mulheres têm o poder de conseguir aquilo que querem, utilizando de toda a sua astúcia e perspicácia, mas nem todas elas chegam ao poder, aos lugares de comando.

Quando se fala de mulheres ocupando espaços, remete-se a "cotas" que precisam ser garantidas, especialmente no campo político, o que nem sempre é cumprido à risca, mais por falta de candidatas aos cargos do que pelo interesse de se seguir a lei. Ainda há uma certa ojeriza das mulheres pela política, como há em grau semelhante ojeriza da maioria das mulheres em eleger outras para cargos públicos.

Eu diria que essa atitude poderia ser perfeitamente chamada de "machismo". Mulheres machistas não é uma raridade na sociedade brasileira. Mães criam filhos para o mundo e filhas para o casamento. Esposas aceitam ser traídas pelos maridos... Enfim, há uma infinidade de exemplos como esses. Mulheres não votam em mulheres. Mulheres formadas numa sociedade que prega a força masculina como mantenedora e provedora do sustento da Nação, não subvertem, não acreditam nas outras mulheres porque não acreditam em si, no poder que têm.

Mulheres brasileiras, uni-vos! Ocupai os espaços de empoderamento! Ocupai todos os espaços! Porque, queridas, se não fizermos isso, eles o farão!


Para ir além: www.mulheresnopoder.com.br

O Leblon não é aqui [1]

Não sei o que a maioria acha, talvez goste muito das histórias da "vida real" que Manoel Carlos conta em suas obras das 21h, mas eu sinto uma inverossimilhança tamanha, que beira à patetice. Sem precisar apontar os atores de segunda que aparecem e desaparecem como astros incandescentes no espaço sideral, há uma coisa que me chama muito a atenção: a linguagem.

É fato que "Maneco" valoriza a língua portuguesa, afinal é ela seu instrumento primeiro de trabalho; só que língua escrita e língua falada tem especificidades próprias. Há que se adequar o código a cada situação comunicativa. A sensação que dá é que os atores estão lendo aquelas cenas, tranferindo ipsis litteris cada palavra para a fala. Então, fica algo tão fora de contexto, tão mecânico e sem emoção, que melhor seria ver uma novelinha mexicana mamão-com-açúcar.

Ainda têm os pobres e malfeitores que fazem parte da trama... Mas isso é papo pra outro post. Agora me deu fastio.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Orgulho de ser baiana???

Olha só! A gente aqui até tá acostumado a ouvir certas músicas, certas letras e a ver certas coreografias... Mas, quando isso passa em rede nacional, dá vontade de ir pra Lua na próxima expedição da NASA.

Durante semanas, o vídeo do "Todo Enfiado" foi papo comum em ônibus, bares, escolas, ruas, lojas, babas, shoppings, amigas ao telefone, amigas no msn, comunidades do orkut, posts do twitter, programas de rádio e programas de tv de gosto duvidoso... Argumentos pró-pseudo-professora, argumentos contra-pseudo-professora, pseudo-professora demitida, pseudo-professora defendida, pseudo-professora acusada. Verdade é que a pseudo-professora ficou famosa, começou a dançar na tal banda que toca a tal música e tá dando risinhos de iena frente a toda essa situação. Mas, eu não consigo esboçar nem um risinho, mesmo um de vergonha, daqueles que se dá às escondidas, por puro pudor ou timidez.

Toda essa patuscada, como diria aquele ex-presidente de caráter duvidoso, me fez lembrar um livro de Eduardo Galeano "De pernas por ar - a escola do mundo ao avesso", não pelo conteúdo que aborda magnificamente questões salutares para entendermos as relações de poder que permeiam a sociedade, mas pelo título simplesmente... Pernas, escola, mundo, pro ar, pelo avesso, valores invertidos, massificação de 'cultura' inútil. Socorro!

P.S.1: Aqui me eximirei de postar o link do vídeo, por ser demais "trash".

"Vão passando!
Entrem na escola do mundo ao avesso!
Que se alce a lanterna mágica!
Imagem e som! A ilusão da vida!
[...]
O mundo perdido num jogo de dados!
Não confundir com grosseiras imitações!
Deus bendiga quem vir!
Deus perdoe quem não!
Pessoas sensíveis e menores, abster-se".
[Baseado nos pregões da lanterna mágica, do séc. XVIII]

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Bá, carneiro, ovelha!

Sempre fui uma mulher da luta! Levantei bandeira, fiz greve, protestei... Mas não admito que lutas infundadas se transformem em levantes dos desvalidos, dos sempre humilhados, das vítimas do sistema.
O discurso pronto de que professor é um pobre coitado, que vive sofrendo as mais atrozes agruras da vida não é de todo verdadeiro. Não ter o reconhecimento profissional devido, não ter um ambiente de trabalho adequado, não ter a remuneração que almeja não é exclusividade dessa categoria, da qual, óbvio, eu faço parte. Trabalho é trabalho em qualquer parte do mundo. O uso dessa caricatura cai muito bem, quando se quer ter algum benefício, algum privilégio numa disputa de interesses.
Hoje, acordei com os ecos da tal “paralisação contra a enturmação”. Vejamos, o que é enturmação? Segundo a Secretaria da Educação, é o “agrupamento de turmas com poucos alunos em uma mesma escola, sem prejuízo do ano letivo nem do projeto pedagógico”. E onde está o problema nisso? Como reivindicar o bom uso do dinheiro público, mantendo salas com menos de 10 alunos funcionando, em nome de uma programação de carga horária? Professores não são lotados em escolas, mas na Secretaria de Educação, e podem perfeitamente ser movimentados entre as unidades que compõem a rede. O que não é admissível é que o Estado continue onerando a folha de pagamento com contratação de professores substitutos, quando haveria possibilidade de se fazer remanejamentos de efetivos.
Então, hoje todo mundo parou. Mas nem todo mundo sabia porque estava parando. Salário. Aposentadoria. Condições de Trabalho. Tudo isso. Ou nada disso. “Se a ‘central’ diz que é parar, a gente para”. E assim, vão caminhando como ovelhas teleguiadas por cães ou porcos-pastores, esses bem entendidos do que querem.
Só eu acordei com esses ecos, porque boa parte dos colegas só conseguia pensar no silêncio desses dois dias, em casa, paralisados.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sobre palavras e cores

Não sou necessariamente sinestésica, mas acho que as cores dizem muito sobre muita coisa. Não só acho, como o senso comum consensua a relação entre cores e coisas, sentimentos, variações de humor. Mas, contraditoriamente, não há consenso quanto aos símbolos que cada cor representa.

Mas, o LILÁS deve ser explicado.
Nem rosa, nem azul. Nem feminino, nem masculino. Lilás. A cor da mistura, do equilíbrio, do meio do caminho.

É nisso que eu vou ficar, no meio caminho entre qualquer coisa que me mova, me motive, me interesse, me agrade, me desagrade, me provoque, me instigue, me desperte, me entedie, me irrite... No meio do caminho, tomando posição.

Porque, gente, apesar das cores, nem tudo são flores, eu já sou uma balzaquiana e não aceito não me manifestar. Nem que seja pra dizer que hoje eu acordei sem vontade pra nada. Ou com muita vontade de mudar o mundo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sinto que sou meio árvore.
Apesar de livre por dentro,
Preciso de um chão pra me fincar!
Agora eu entendo Gonçalves Dias!
Vivo a cruz dos expatriados.
Onde for, sinto a ausência
Do chão,
Do céu,
Dos iguais.
Essa é minha verdadeira essência:
A saudade incomensurável
Até mim mesma.

domingo, 19 de abril de 2009

Confabulações sobre a solidão

Em última instância, somos rigorosamente sós. Nascemos para a solidão. Lutamos por individualiade, tratamento personalizado... Não há por que nos esquivarmos dela. Mas, é bem doloroso quando se chega a um momento na vida onde essas verdades são mostradas.

A vida inteira eu disse milhares de "adeuses". Adeus amigo! Adeus amiga! Adeus cidade! Adeus família! E o tempo todo chegando mais gente e lugares para se despedir de mim...

Sim, estou só! Mas, a solidão me faz companhia!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Olinda! Quero cantar a ti esta canção

Olinda! Quero cantar a ti esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar
Em Olinda sem igual
Salve o teu Carnaval!

PERNAMBUCANOS FAZEM ARTE, BAIANOS FAZEM DINHEIRO

Acabei de chegar de Recife e voltei estranhamente interessada na rivalidade histórica entre os estados da Bahia e Pernambuco. Daqui, eu sempre admirei muito os pernambucanos e sua cultura. Sempre li os livros, vi os filmes, ouvi as músicas... Lá, me encontrei com uma diversidade incrível de manifestações artísticas populares nos Carnavais de Olinda, Recife e Bezerros. Mas cheguei instigada a buscar respostas para as coisas que ouvi nas ruas e que me eram totalmente desconhecidas:

Situação 1 - Diálogo:
Taxista: Você é de onde?
Eu: Da Bahia.
Taxista: Você sabe que Recife é maior que Salvador, né?
Eu: É? Não sei bem... Não sou de Salvador.

Situação 2 - Diálogo:
(Numa loja, comprando uma camiseta "Carnaval de Recife - PE")
Vendedor: Você é de Salvador?
Eu: Da Bahia, do interior.
Vendedor: Veio conhecer o Carnaval daqui?
Eu: É... Mudar um pouco.
Vendedor: É, na Bahia tem muito axé, né?
Eu: ...

Situação 3 - Show do Mundo Livre S.A. - Marco Zero - Carnaval 2009:
Trecho da Música cantada pela banda: "Computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro".
Trecho da Música cantada por um parte da multidão: "Pernambucanos fazem arte, baianos fazem dinheiro".

Eu tenho que concordar que muita coisa da produção "artística" da Bahia não pode ser considerada como representação da "cultura baiana" e não é. Bahia não é só Salvador e Salvador não é só "axé". Há muita gente produzindo muita coisa boa, muita coisa de qualidade que não é necessariamente conhecida ainda da grande massa.

Há muito entre os pernambucanos a crítica em relação à mídia que só dá espaço para a Bahia, especialmente no Carnaval. Conselho de vizinha e amiga: fiquem longe dessa praga mesmo. Só depois que o Carnaval de Salvador passou a ser divulgado e espalhado pelos quatro cantos do Brasil, nos chamados "Carnavais fora de época", é que tudo começou a se perder; começaram a reproduzir recortes de carnaval, que foram se esvaziando e se construiu uma outra coisa que nada tem a ver com o que sempre foi o Carnaval daqui. Na minha cidade, por exemplo, os mascarados, os blocos sem cordas, as bandinhas e as marchinhas faziam parte da folia. Hoje, todos tentam reproduzir o carnaval dos blocos com abadá e corda, numa imitação grotesca do que seria o mais moderno em matéria de festas.

No Carnaval do Rio, aconteceu a mesmíssima coisa. Hoje já há um movimento de resgate dos antigos carnavais, com a participação maciça dos jovens.

Pernambuco e Bahia são estados-irmãos. Ainda não sabem o potencial que tem de crescer juntos, trocando experiências bem-sucedidas em todas as áreas. Pernambucanos e Baianos podem fazer arte e fazer dinheiro. Podem preservar suas culturas e gerar renda. Basta não se esquecerem quem são.